Ansiedade e síndromes modernas
Redes sociais com stream de atualizações têm estragado gerações inteiras. A vontade da informação mais atualizada e da dianteira do conhecimento é o disfarce nobre de uma mania elevada a obsessão que controla quase inevitavelmente nossa visão global das coisas. “Nossa” vindo de nós, a leva de crianças, adolescentes e adultos que não conhece dia-a-dia sem internet e sem informação. Nossa, dessa gente que não sabe mais viver desconectada.
A atenção que nós aprendemos a dividir desafia toda ficção científica que tentasse adivinhar o que era esse “conectado”. Gibson não errou quando cogitou nossa entrada na rede; estar lá fisicamente pode ser ficção demais, ainda, mas mentalmente a cadeia de usuários não se desliga. O Twitter sempre em refresh, o Facebook já com as fotos da madrugada anterior, o contador no Reader diariamente desafiado ao zero, a caixa de entrada numa luta eterna pela limpeza. O mundano do conectado é o nulo: nenhuma mensagem pra ler, nenhuma novidade pra descobrir. Sempre saber antes do outro, ter escutado antes, ter rido antes, ter menosprezado antes. É uma vida em F5, na corda bamba da ansiedade que deixa de ser uma doença incômoda e vira distúrbio default.
Aqui se vive de Rivotril, ou de camomila. De refresh. Pra não deixar a ansiedade tomar conta, se vive de 3G e smartphone também. E quando achamos que não temos tempo pra nada, na verdade, a meia hora que faltava no dia gastamos atualizando a timeline.
Tags:ansiedade, é o seguinte, falei mesmo, já pode atualizar?, síndromes modernas, tudo louco





