F5

8 ago

Ansiedade e síndromes modernas

Redes sociais com stream de atualizações têm estragado gerações inteiras. A vontade da informação mais atualizada e da dianteira do conhecimento é o disfarce nobre de uma mania elevada a obsessão que controla quase inevitavelmente nossa visão global das coisas. “Nossa” vindo de nós, a leva de crianças, adolescentes e adultos que não conhece dia-a-dia sem internet e sem informação. Nossa, dessa gente que não sabe mais viver desconectada.

A atenção que nós aprendemos a dividir desafia toda ficção científica que tentasse adivinhar o que era esse “conectado”. Gibson não errou quando cogitou nossa entrada na rede; estar lá fisicamente pode ser ficção demais, ainda, mas mentalmente a cadeia de usuários não se desliga. O Twitter sempre em refresh, o Facebook já com as fotos da madrugada anterior, o contador no Reader diariamente desafiado ao zero, a caixa de entrada numa luta eterna pela limpeza. O mundano do conectado é o nulo: nenhuma mensagem pra ler, nenhuma novidade pra descobrir. Sempre saber antes do outro, ter escutado antes, ter rido antes, ter menosprezado antes. É uma vida em F5, na corda bamba da ansiedade que deixa de ser uma doença incômoda e vira distúrbio default.

Aqui se vive de Rivotril, ou de camomila. De refresh. Pra não deixar a ansiedade tomar conta, se vive de 3G e smartphone também. E quando achamos que não temos tempo pra nada, na verdade, a meia hora que faltava no dia gastamos atualizando a timeline.

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É verdade que

14 mai

Meu header novo tem marca d’água do istockphoto

E EU TÔ NEM AÍ PRA SOCIEDADE

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Central Google de Informações

12 mai

Com licença post sobre o que faz um grande jogo. Não é sua vez.

Fico imaginando como seria o Google analógico. Se ele não tivesse a internet e nós tivéssemos que voltar aos tempos da central telefônica – ou continuar, se você anda se comunicando com frequência com alguma operadora de celular – e a telefonista fosse a voz do Google Translate. Imagine que bonito.

O telefone chama. 1, 2, 3 vezes.

(clic) Ela fala.

Sua vez. Você fala.

(pausa) Ela responde.

Confusão. Ela pergunta de novo. O equivalente à nossa constatação na página 2. Ou, dependendo da curiosidade e do desespero, na 18.

Ela desiste.

Você desiste. Vai na locadora mais próxima, passa as cortinas dos fundos e sela a derrota da central de informações que graças à SUA falta, você usuário, do outro lado da linha, não serve pra porcaria nenhuma.

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O que faz um grande jogo?

27 abr

Para ler e pensar em big size.

Mais sobre, num próximo post.

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Bagagem

16 abr

Existe uma palavra que o meio educacional ama. É a definição do amontoado de experiências e memorizações que você faz delas a respeito de qualquer coisa, e como os pedagogos amam falar em bagagem.

Wait for me, world

Cultura deve ser o verbete mais cheio de metáforas motivacionais que existe por aí, sempre lembrando como é bom cultivar, fazer crescer, tratar feito uma plantinha bonita. De fato, sem bagagem é difícil ir parar em algum lugar como você quer ir a Paris com uma malinha de mão?, simplesmente porque ela também significa referência. E por mais que você queira inovar no que quer que você esteja querendo inovar ao ler isso, você vai precisar de referências sólidas, não? Em qualquer profissão, pra fazer (BEM) seu trabalho você precisa entender como ele funciona primeiro. A velha máxima tutorial desse blog: conhecer, depois revolucionar.

Por isso mesmo eu nunca me sinto capaz o suficiente pra simplesmente sair inovando. Eu penso nos livros que não li, os filmes que não vi, os jogos que não joguei, os discos que não ouvi, as experiências que nunca passei, e concluo: cacete, como eu sou noob.

Mesmo que isso não seja 100% verdade, mesmo que eu não precise de verdade sair por aí inovando e descobrindo os novos Beatles, essa ideia de que eu sempre estou atrás vai empurrando sempre pra frente. Eu fico com vontade de ler os livros, ver os filmes, jogar os jogos, ver o mundo e dizer SIM, agora eu sei, vou preencher a próxima lacuna.

Não gosto da palavra bagagem. Nem dos ares de orientação vocacional que ela sempre me evoca. Mas não posso ignorar que ela existe. No momento, minhas listas de lacunas são longas. Nunca vou preencher todos os checks, sempre vão aparecer novos. Mas né? Vou aumentando minha bagagem. E se é que isso é possível, até acusar excesso.

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A história da ficção científica

18 mar

ÓSSOM

Recomendo muito clicar pra ver maior.

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Cena de dois anos atrás

16 fev

A menina atrás do balcão da locadora tinha todo o estereótipo nerd: novinha, acho que até adolescente, com um rabo de cavalo baixo e óculos de aro grosso, trabalhando num sábado à noite ao invés de ficar em casa com o namorado (que nem sei se ela tinha). Não reparei no nome no crachá. Olhava as pessoas com vergonha, sempre com a cabeça baixa e um jeito bastante tímido.

Escolhemos os DVDs e fomos para o caixa. Reparei numas caixinhas de chiclete expostas no balcão, e comentei – escandalosamente, admito – do cheiro do chiclete novo. Era cítrico, um cheiro bom, não sei dizer. Senti o cheiro várias vezes, comentei escandalosamente de novo, levamos. Eu conversava distraída enquanto a mocinha recolheu os DVDs e o chiclete. Olhei para ela de relance. Discreta, quase punitiva, ela levou a caixinha até o nariz e cheirou timidamente. Acho que ficou curiosa. Passou o chiclete no leitor de código de barras e jogou rápido na sacola, nitidamente envergonhada, esperando que ninguém tivesse visto.

Não comentei, só sorri. Ela não deve ter entendido.

Mas foi tão bonitinho.

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FF >>

7 fev

Algumas coisas deveriam ser passadas para as próximas gerações. Não é ser vintage ou cool, nem ensinar para as crianças a nostalgia do que eles não viveram. São algumas experiências que a nossa geração – a geração da transição – teve e que as mais novas não terão. Se existe mais uma vantagem em ter nascido entre 70 e 80 (ou mesmo quase em 90 – não quero falar sobre isso) é de ter vivido uma era analógica que se convertia a digital. Ter visto nascerem os computadores, as câmeras digitais, as televisões ultrafinas, a internet, o cd,  o dvd, o blu ray, os tijolares, os celulares, os ipods, iphones e itrecos. Ter visto morrerem o disco de vinil, as fitas cassete, o VHS, as locadoras de bairro, as televisões de tubo, o cd, os tijolares, umas 30 gerações de celulares.

Quero que meus filhos saibam ligar um rádio e sintonizar girando um botão. Que saibam que um bombril na antena melhora o sinal da tv e que o chiado do toca-discos é arte da agulha. Que antes das fotos no computador, elas se revelavam no papel, e que consigam usar uma câmera manual, e que entendam que o cinema já foi uma arte feita por poucos.

Eles não sabem disso, mas nós sabemos. Nossa geração sabe de onde veio tudo. Compreende melhor como a tecnologia avança porque passou pela virada entre analógico e digital e sabe flutuar entre esses dois mundos. E principalmente, recriar um mundo em outro. Essa sessão nostalgia que o mundo vive parece querer pisar no freio de um avanço contínuo – mas se essa geração não trouxer o velho numa forma nova, o mundo se divide. E os anos 70 e 80 viram o marco zero. Não é nostalgia, não é vintage, não é cool. O legado que seus filhos tem que ter é o de aprender como as coisas funcionam – antes de revolucionar o revolucionado.

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O método “Queen”

31 jan

Escrever sob pressão – a delícia e o tormento

Vai, encare a verdade, não existe mais trabalho sem pressão. O mercado – a máquina, o capitalismo, escolha um nome legal – acha prazo uma coisa tão divertida que coloca deadline em tudo (e quando você percebe está trabalhando feito um burro de carga sob o sol pra deixar aquela coisa pronta antes das 08h do dia seguinte). Verdade é que hoje, em quase nenhuma profissão, trabalhar além do expediente é anormal.

Conselhos de Calvin & Haroldo

O roteirista então é um desgraçado numa terra de azarados – nesse quesito. Horário é um conceito extremamente vago por se tratar de um trabalho “intelectual”, uma exigência de resultados da sua imaginação e do seu poder de revisão/produção de texto. Muito vago mesmo. O número de horas dedicadas do dia depende não somente da sua boa-vontade e da distância do prazo como também da qualidade das suas ideias naquele dia (convenhamos, dias ruins são RUINS, e por mais que você tente nada aproveitável acaba saindo). Fora os dias de crise, de dúvida ou de impasses. O tempo gasto com um roteiro é tão impreciso que dar um preço a seu trabalho é uma tarefa mais de adivinhação do que uma ciência exata.

Escrever sob pressão, nesse mundo – e em qualquer mundo que você precise escrever para sobreviver, na verdade -, é um aprendizado gradual. Muitas variáveis passeiam entre as horas da semana que você tem pra entregar uma sinopse, ou do mês para um tratamento final. E quando a data vai chegando e a pressão começa a ficar mais evidente vira uma questão de honra – café, virar noites, desativar perfeccionismo excessivo. Na bolha dos criativos (cara, como a publicidade cria termos odiáveis, sem ofensas mas meu deus) pressão não precisa ser motivo de pânico. Pode ser catalisador de boas ideias, basta saber usar. Quando falo em desativar perfeccionismo não quer dizer que o bom senso voa para o lixo, mas que a teimosia de cutucar um mesmo texto até a ferida verter sangue vira prática proibida – me sinto melhor em trabalhar uma ideia atrás da outra, multiplicar as possibilidades e depois ficar com a melhor. Depois sim, cutucar ela um pouquinho, o suficiente pra achar que ela está bem onde está sem querer trocar tudo e começar de novo.

Parece paliativo (e talvez seja), até porque o estímulo do tempo curto não vira fabriquinha de ideias pra todo mundo. O generalizável, no caso, é tentar usar o last minute panic e as madrugadas viradas a seu favor, com menos desespero e mais adrenalina. Os pobres roteiristas precisam sentir algum arrepio na espinha de vez em quando.

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O carro chinês

30 jan



Diz se não é a cópia de Mini Cooper mais bonitinha que você já viu.

A fama de “HiPhone do Mini” é só um sintoma do quanto o mercado chinês gera amor e ódio. Como se metade das coisas que você tem em casa não tivesse na etiqueta o aviso made in china.

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