Alimentando o perigo
Toda mulher tem TPM, e tem gente que pensa nelas.
Matadores de Vampiras Lésbicas, Bastardos Inglórios, Garota Infernal. Essas pérolas de sangue falso são o alívio dramático que uma boa neurótica precisa. Mais do que sanar o desejo sanguinário de uma TPM feroz, os quase splatter films colocam em linguagem de cinema os desejos ocultos e suprimidos do inconsciente coletivo. Os menos, hum, perturbados, concordam que vibração e gritinhos de apoio na sala de cinema quando o sangue de karo [aquela coisa nojenta que não é mel nem açúcar] jorra na tela não é lá muito saudável, mas – até pra partir em defesa própria – não tem nada de mais em observar com olhos animados a destruição de bonecos de cena.

Jenny's on fire.
O cinema tem o poder avassalador da imersão. Como no teatro onde a platéia senta-se na penumbra e o foco de luz fica nos atores, na sala de cinema o escuro volta a atenção para a projeção adiante, e a partir de então a realidade é aquela que se projeta na tela, e não o mundo de pequenos acontecimentos à sua volta. A identificação, visto esse cenário imersivo, é quase consequência. A fixação causada pela imagem em movimento perdeu o glamour com o passar das décadas. Hoje o cinema é centenário e o poder de criar imagens em movimento em vídeo está ao alcance de [quase] qualquer um. O condicionamento para o público das gerações mais recentes, portanto, vem de berço, mas a fascinação continua pelo envolvimento emocional com a história. Trens correndo em direção à tela podiam ser muito interessantes nos cafés parisienses do século retrasado, mas hoje são a imagem do corriqueiro.
Cabe então recorrer ao usual que só existe no cinema [o tal do "só acontece nos filmes"]. O gore é uma realidade perturbadora que ninguém gostaria de admitir que existe, mas que vira entretenimento nos filmes pelo conforto da associação condicionada. Por saber – ou supor – que tudo que acontece no cinema é mentira, o espectador conforta-se em compreender que “não, eu não vou ser retalhado por um maníaco com uma serra elétrica num casarão abandonado, isso é coisa de filme.” [embora os pobres namorados das mais estouradas devessem considerar essa opção no mínimo uma semana por mês].
Pelo menos no caso dos filmes de terror. Como o ser humano é mais otimista do que gostaria de admitir [por questões evolutivas, algo a ver com a sobrevivência daqueles que acreditam na sobrevivência], as comédias românticas são a ilusão mais doce e o sonho mais querido quando a TPM pende para a depressão melosa. Mulheres não costumam se emocionar com tudo, mas hormônios podem ser enganadores. Para fases como essa, talvez “Garota Infernal” [Jennifer's Body, dir. Kary Kusama, 2009] possa ser um pouquinho demais para os nervos femininos à flor da pele – e podemos acabar trocando os gritinhos de aprovação pelo choro incessante… acontece.
Tarantino é um bastardo
Brega, clichê, patriota… nada como uma obra-prima que se aproveita do óbvio.
Como você gostaria que a segunda guerra tivesse acabado? Talvez seja essa a pergunta que Quentin Tarantino tenha feito pro próprio espelho. E a resposta foi megalomaníaca e sem sentido, como sempre. O problema – ou a solução, já que não gostar desse cara é muito difícil – é que, não contente em saber a resposta, ele foi lá e fez. Como Hitler já não é mainstream há muito tempo Tarantino faz do jeito dele, com Brad Pitt no elenco e tudo o mais. E que palavra eu posso usar agora pra dizer que… ele acertou de novo?

"Gratzie"
Aproveitador. Tá bom, meio pesada. Segunda guerra mundial é um terreno meio perigoso [sem trocadilhos] afinal foi o evento mais cinematográfico do século XX tirando o Titanic e já ganhou várias versões e visões. Como não dava pra fugir dos clichês, especialmente sob a ótica tarantina da coisa, ele abraçou. É importante ser brega, falta ensinarem isso nas escolas de cinema. Ser brega não é mal, ainda mais se for medido o suficiente pra virar estilo. E aí digamos que existe uma marca autoral do diretor, a essência de toda a sua cinematografia que é o kitsch, o absurdo que beira o filme B mas não chega lá exatamente.
Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, dir. Quentin Tarantino, 2009) é, de certa forma, um poço profundo de obviedades. É claro que os EUA ficariam mais do que contentes em assumir a responsabilidade pela dizimação total do nazismo, representado essencialmente por Adolf Hitler e os altos comandantes do Terceiro Reich. É óbvio que Hitler era o grande antagonista. É sabido que mortos de guerra são mais números do que nomes. Nesse terreno fértil onde sangue jorrando não é polêmica e violência é comportamento comum, Tarantino se sente em casa. Não fosse um filme dele, talvez ninguém gostasse. Faz muito mais sentido quando é na mão do homem que orquestrou a chacina d’A Noiva.
A catarse coletiva do final quase inacreditável [prometo que não dou spoilers] é mero sintoma. O desejo coletivo é consequência de como a História foi contada. E se aqui a mesma História vira uma história, não é o espectador que vai erguer a mão em revolta. Quando se trata de Tarantino, queremos sangue, suor e guerra.
Apocalipse? Chama o Bettany!
A guerra dos anjos vem aí…
Quando o mundo religioso está em apuros surge o sombrio e branquelo guerreiro que povoa os sonhos e os pesadelos do público de cinema. Paul Bettany já provou por padres lutando contra a peste e por monges assassinos que não é pouca coisa. Inclinado a papéis de cunho religioso – será pelo físico peculiar? – , chega desta vez para encarnar um badass arcanjo Miguel no filme-que-precisamos-ver “Legião” [Legion, dir. Scott Stewart, estréia prevista para março de 2010 o Brasil]. A sinopse do filme já é um prato cheio: depois que Deus perde a fé pela humanidade e decide enviar seus anjos pra botáprafudê, um grupo de pessoas isolado num restaurante-trailer é protegido do apocalipse que acontece lá fora pelo sempre benevolente arcanjo Miguel, que corre em socorro do grupo e da garçonete do restaurante, grávida do novo Messias [uou!].

Legion, na bíblia, é um demônio. E no filme?
E o cara é o anjo perfeito. O trailer do filme apareceu na Comic-Con desse ano e chamou alguma atenção – são anjos brigando, por deus! Hell on Earth onde não existem mocinhos e bandidos – e um quê de Constantine. Aparentemente é o bem lutando contra o bem, em suas ramificações mais macabras. Os historiadores costumam dizer que, sempre que a humanidade se encontra à beira de grandes guerras ou tempos sombrios [seja lá o que isso quer dizer], as grandes tragédias, monstros e as várias versões do Apocalipse voltam a aparecer nas artes. A coisa deve estar bem feia, porque a safra de filmes-catástrofe só faz crescer dos idos de 2000 para cá. Mas se a casa vai cair mesmo, que caia com estilo. E com o Bettany no papel principal, claro.
É do imoral que a gente gosta
Se Grissom já era controverso, o que dizer então de Dexter?

Dexter vestido para matar
Um matador adorável. Dexter Morgan é um modelo louvável de anti-herói. Em vistas gerais, um personagem aparentemente simples; atormentado por ter presenciado o assassinato da mãe aos três anos de idade e ter passado sabe-se lá quantos dias mergulhado numa poça de sangue, o garoto criado por um policial exemplar aprende com ele a controlar seus instintos assassinos nascidos junto com a morte da mãe e a usá-los para o bem. Dexter sente o desejo assassino, mata algum criminoso da ralé, se livra do corpo, das pistas, e da culpa. Fora isso, é o perfeito homem sem defeitos, desde a eficiência no trabalho até a atenção paternal aos filhos da namorada.
Toda essa simplicidade é o que torna o personagem tão… complexo. Como não amar Dexter, um bloco imutável de emoções superficiais e impulsos secos? O homem perfeito que não sente nada de verdade, mas não deixa de ser excepcional. Seu único deslize é ser um assassino serial – e será que gostaríamos tanto dele se ele fosse apenas perfeito e superficial? O toque bestial é a pérola na superfície rasa do comportamento de Dexter. Lutamos para vê-lo avançar, experimentar novas sensações, aprender a ter sentimentos mais humanos e deixar de lado o vício de matar, mas ele não seria o mesmo sem isso. Quando Dexter deixar de matar, como é que vamos saber se ele não vai, definitivamente, perder a graça?
Fica a dúvida.
[Esse é um scratch|post sobre Dexter, o personagem. A intenção era mesmo ser superficial e olhar o personagem, apenas. Quer mais? A série está indo para a quarta temporada nos EUA. Por aqui, as temporadas anteriores estão no ar no canal de TV a cabo FX.]
A roça vigiada

Mas como assim "Staying Alive" na abertura?
A Fazenda tem todos os ingredientes pra ser um estouro – e por quê não é, então?
A novidade nos ’shows de realidade’ da TV brasileira tem nome. A Fazenda estreou em 31 de maio na Record, com investimento pesado da emissora. O reality mistura Big Brother com Simple Life, num formato que – pasmem! – não pertence à veterana Endemol. Comecemos que A Fazenda, para os padrões da própria Rede Record, é um sucesso considerável de audiência. Nas primeiras semanas de exibição o programa tem batido o líder Fantástico aos domingos, nos episódios de eliminação do reality show do canal 7, por até 10 pontos de vantagem. Não é pouco para uma emissora que até meia dúzia de anos atrás era a terceira colocada no ranking de audiência nacional. A ascensão quase forçada por gastos inimagináveis – essa semana, a Record anunciou a compra do apresentador Gugu Liberato do SBT pela bagatela de 3 milhões de reais por mês – tem levado a rede do Bispo Edir Macedo a explorar campos antes dominados pela Globo há tempos, como a dramaturgia (e os Mutantes da Record) e agora, numa investida mais pesada, o reality show.
Que Big Brother Brasil é sinônimo de lucro e liderança para a Rede Globo, não há mistério. O trabalho de Boninho, já caminhando para a décima edição, firmou de vez o gênero na televisão do Brasil. A Endemol, holandesa criadora da atração – e de vários outros shows do tipo – nada em dinheiro e vangloria-se da franquia milionária criada no rastro do programa inspirado em 1984 de George Orwell. Uma sacada e tanto focada na psicologia voyeurista que Freud já explicava no início do século XX.
Então vem A Fazenda. Um viés engraçado do que A Casa dos Artistas tinha de mais curioso: a apreciação [sic] da vida comum de celebridades cultuadas [sic]. Difícil não comparar com o veterano BBB, mas quase injusto; a estrutura física da Record, apesar de muito mais ampla (pelas minhas contas não-oficiais, o terreno da fazenda em Itu deve ser 2 ou 3 vezes maior que a casa do Big Brother no Projac) carece de técnica. Faltam câmeras para pegar todos os momentos, a edição se arrasta, peca no excesso, e a equipe tem menos intimidade com o processo todo-especial-fresco do reality.

Theo Becker e Dado Dolabella brigam... de novo.
Mas tudo isso passa, já que a melhora é progressiva e visível a cada semana no programa. O que fica difícil de passar é ver a premissa do formato descer pelo ralo, por mais que a produção do programa se esforce notavelmente para não deixar a essência morrer. Afinal, A Fazenda é um reality de celebridades na roça, não? Faltam as celebridades, e um pouco do “gramú” da roça. Apesar de absolutamente tudo referir-se à fazenda (inclusive a genial “Porteira de Voz” do programa), e da convivência com os bichinhos, vaquinhas, ovelhinhas e porquinhos ser bastante explorada, a vitória é dos egos. Egos de celebridades que muita gente nunca ouviu falar – e que se conhecem ou já trabalharam juntos na própria Record, por coincidência – que passam o dia inteiro brigando pelos motivos mais bobos. Então, não, não é justo comparar A Fazenda ao BBB. Mas nesse ponto, não é que eles são iguais mesmo?
De qualquer forma, considero o programa a melhor coisa ruim da televisão por ora. Afinal, ele realmente bate o Fantástico, e muita gente acabou descobrindo quem diabos é Theo Becker. Já é um mérito e tanto se esforçar para fazer direito, ou pelo menos direito o suficiente pra cativar alguma audiência e grudar telespectadores à telinha, só esperando o próximo barraco.
O moralismo imoral
Como C.S.I. e outras séries caveira provam que o crime não compensa
Aposto que você já viu alguma série policial, qualquer uma. Desde os seriados de duplas policiais boa pinta e estilosas dos anos 70 até Law & Order em alguma das suas muitas veias de franquia, nos anos 90 . Das duplas que atiravam para todos os lados até o drama de investigação policial bem-representado por Special Victims Unit (SVU) – uma das mais famosas das séries Law & Order -, o teor ‘policial’ do gênero mudou um bocado. Foi no final de 2000 que o Midas das produções de ação Jerry Bruckheimer resolveu encostar seu dedo de ouro no que viria a ser a franquia policial mais bem sucedida do novo século.
O imbatível Gil Grissom
C.S.I. – Crime Scene Investigation foi um marco no gênero, como não podia deixar de ser. Já em meados dos anos 90 as produções policiais para TV despontavam para a abordagem da figura do investigador como uma pessoa sensível, com conflitos e reações a todos os problemas com os quais convive. E não só entre policiais como também entre médicos [no exemplo de temporadas infinitas que é E.R.] e outras profissões que até 20 anos atrás eram vistas pela televisão como frias e mecânicas – salvo, é claro, exceções. Gil Grissom é o ápice do profissional de cérebro grande e coração de manteiga. Cientista, especialista em insetos, multi-inteligente e irônico; esse era o chefe da sessão de investigação criminal de Las Vegas, a cidade onde a noite é dia e o crime passa impune – ou passava, antes de Grissom. Com seus comentários sarcásticos bem-colocados e os insights incríveis, ele lidera uma equipe de policiais humana e errônea, como deve ser. Warrick é viciado em jogos. Nick costuma envolver-se demais com os casos e de menos com as vítimas. Sara tem um caso com Grissom, além de uma lista considerável de problemas pessoais. Catherine foi dançarina na juventude, e por aí vai.
Mas não é no caráter emocional dos personagens – ou não somente nele – que C.S.I. atraiu a atenção da audiência. A rotina da equipe também é exposta, nua e crua, com o sarcasmo de sempre – leia-se cadáveres expostos em autópsias cercadas de piadinhas do legista, as mortes mais estranhas, efeitos especiais explicando passo-a-passo como um cigarro aceso pode matar um indivíduo [por exemplo], alegria profissional em encontrar as evidências mais ínfimas nas situações mais absurdas. Lembro que um dos episódios mais marcantes que já assisti nesse sentido foi o caso do homem líquido, encontrado aprodecendo numa mala no deserto de Vegas. A ‘exumação’ é uma cena nojenta e fantástica [não lembro a temporada, mas se descobrir dou um update por aqui].
Mas por que fantástica? Grissom zomba da morte, e a respeita. Entende suas vítimas e as ouve, da sua própria maneira, apontando a culpa do criminoso. Insistindo que a morte é natural, mas ao mesmo tempo que não é. O crime não compensa? Então por quê parece tão legal aos olhos do espectador? Duas palavras: curiosidade e sim, sadismo. Das séries mais assistidas na última década nos EUA, quase todas lidam com o voyeurismo que beira o sádico – desde médicos humanos e rabugentos até demais operando seus pacientes com fervor, pessoas passando por todo tipo de dificuldade e sendo caçadas por estranhos numa ilha ainda mais estranha, séries criminais carniceiras e reality shows – os senhores supremos da espiada na vida do outro. A televisão virou o que nos equivale ao espelho de Alice, um relance de outra dimensão, outras vidas e vivências. E do outro lado do espelho buscamos ver o que não queremos ver deste – afinal, é tudo ficção mesmo né?
Slumdog Millionaire e a cultura do repeat
Salim o caralho, meu nome é Zé Pequeno, porra!
Uma pequena pausa nos posts de assuntos genéricos para partir a uma análise de filme – coisa que eu não faço faz tempo! “Quem Quer Ser Um Milionário” (Slumdog Millionaire, 2008, dir. Danny Boyle), o papa-oscars da cerimônia de 22 de fevereiro último, é uma caixinha de surpresas, boas e ruins. No meio da exuberância de uma Índia/Bollywood recém-descoberta pelos olhos desatentos da Academy, uma fábula digna de Sessão da Tarde se desenrola no submundo das favelas de Mumbai.
Explorando ao máximo o lado BAD da sociedade de castas indiana – e, pra nós aqui abaixo do Equador, fazendo um belíssimo contraponto ao sucesso/cópia de O Clone das 20h na Globo, Caminho das Índias – Slumdog pisa em terreno fértil, mas não incomum. Pra quem não conhece a famigerada jornada do herói [mais em "A Jornada do Escritor", livro de Joseph Campbell - ele mesmo!], resume-se no seguinte: herói, conflito, vilão, enfrentamento e final feliz. É o caminho da maioria dos filmes que cativam a audiência, mas isso não quer dizer que o roteiro não seja bom. O filme de Danny Boyle trabalha com a jornada quase em sua perfeição, com um pano de fundo extremamente instigante e novo para o mundo ocidental que é a sofrida vida dos dalits e das castas mais baixas na cultura indiana. Jamal é um menino criado nas slums [favelas] de Mumbai com uma incrível história de vida que passa por extorsão, violência, trabalho infantil e separações dramáticas. Um prato cheio para a catarse possibilitada pela participação do já crescido Jamal num programa local parecido com o nosso Show do Milhão.

Quem quer ser um milionário?
Sem intenção de SPOILER, mas não tendo outra alternativa, preciso comentar que a obviedade do final tira um pouco do charme de toda a situação narrativa criada em torno da pergunta milionária. Slumdog tinha tudo para surpreender do começo ao fim – mas abre mão desse recurso pela satisfação da sua plateia. Impossível assistir ao filme e não compará-lo com “Cidade de Deus” (2002, dir. Fernando Meirelles). As favelas da Índia não são iguais às do Rio de Janeiro, fato, mas a essência permanece a mesma. Violência e, ainda assim, colorido. Boyle parece ter percebido a semelhança [arrisco dizer que até inconscientemente] e muito de um filme está presente em outro, inevitavelmente. Na Índia, no Brasil, miséria é miséria em qualquer canto [alô, Titãs?].
Slumdog leva muitos pontos por dar a Jamal, sim, um objetivo, que no entanto não é o dinheiro – é Latika [interpretada pela linda Freida Pinto]. É uma fábula de amor, regada de elementos pesados, claro que sim, mas que não deixa de ser leve e deslumbrante quando necessário. Fórmulas são inevitáveis e os mais puritanos podem depreciar Slumdog por seguir algumas delas, não os culpo. Até eu me decepciono um pouquinho por saber que o filme não tem tudo de original. Por outro lado, ainda é um bom entretenimento para deixar Bahuan e a cenografia da Rede Globo com cara de artificialismo forçado.
Nos próximos capítulos…
Rádio, ficção vs. realidade, ideias sonoras [o que é isso?] e conteúdo fresquinho.
Aqui, no Ideias Estranhas.
…
[corta! ficou boa essa, vamos rodar mais uma por segurança?]
Um post de opinião
Pequeno tratado sobre música ruim [e o que é música boa].
O que é de gosto, o que é preferência, tudo que não é unanimidade sempre se isenta de discussão… ou não. Vá lá, o povo tem alguma tendência geral, quase instintiva, de convencer o outro dos seus motivos para gostar/ser adepto/seguir alguma coisa. Então, evitar os assuntos indiscutíveis [política, religião e gosto sexual não se discutem?] fica complicado, dependendo do contexto [odeio generalizar, mas fica bem mais fácil de visualizar as coisas. Portanto, perdoem minha tendência "todo mundo faz isso", e por favor protestem e levantem a mão se forem exceção].
Música é outro desses campos perigosos pra gerar uma discussão. Mas não posso negar que ultimamente tenho ouvido comentários suficientes pra remoer uma questão em particular; o que pode ser classificado como “música ruim” e “música boa”? Particularmente, classifico música como “audível” ou “não-audível”. Quando alguma coisa me agrada numa canção/artista/estilo específicos ela é audível. E portanto passível de classificação como música boa… mesmo que, tecnicamente, não seja boa. Acho que não deu pra entender, so rewind. Seguindo o senso comum [nota: não acho que senso comum exista de verdade, mas tá, voltando...], bom é sinônimo de qualidade, algo agradável – no caso, aos ouvidos -, de bom gosto. Já ruim é o exato oposto [antônimos, anyone?], algo sem qualidade, que causa desagrado.
Então o correto seria perguntar o que define qualidade na música. É preconceito que move hordas a repugnar o tecnobrega e venerar o indie rock [por exemplo]? Prefiro acreditar que o senso de qualidade dessas pessoas é que define que um seja melhor do que o outro. Contando fatores culturais [e pode colocar sociais nessa pasta aí], principal meio de acesso a músicas novas e influências próximas, todos estamos ditados a considerar bom o que chega aos nossos ouvidos mais facilmente, ou com melhores recomendações. A exploração também é natural – mas você partiu de algum ponto pra chegar no Devendra Banhart, não? Mesmo que você conheça N bandas ou estilos desconhecidos, que se interesse por música que não é mainstream e que seus amigos nunca ouviram, sempre partimos de algum ponto comum [comum, aqui, no sentido de "conhecido"]. Algum audível – se audível = estilo musical, canção, artista – te puxa para outro, e para outros, e de repente você se interessa por coisas bem menos agradáveis aos ouvidos de quem gostava daquele primeiro lá no começo da frase.
Música é um processo, e não só enquanto produzida ou ouvida [tenho razões para defender que a audição é um processo - e alguns teóricos malucos também têm, eles que me ensinaram!], mas também enquanto objeto de apreciação. É possível se manter fiel a um estilo por toda a vida, ou a um artista, mas não é possível considerar seus ouvidos fiéis à eterna repetição. São aqueles fatores que nos fazem considerar a qualidade da música que também nos mantém mais propensos a um estilo ou outro. No entanto, você ainda pode ouvir, e pode experimentar, se desconsiderar o que firmou como seu “gosto”. E essa é a parte que acho mais divertida, na verdade, quando descobrir o novo vira passatempo. E, em termos musicais, um passatempo inebriante.
Ainda assim perguntei a twittos amigos: o que é música ruim? Fato que quem tem amor por música tem uma noção diferente sobre gosto – não, todas as outras pessoas na Terra não são burras ou ignorantes só porque não consideram la musique parte essencial da sua vida. Tá certo que é difícil não concordar com a opinião quase geral e genérica [música ruim é música chata/irritante/algum sinônimo apropriado], mas o gosto, esse sim, é indiscutível. Podemos querer saber de onde ele vem, mas não podemos discutir. Enfim, você ouve o que você quer. Eu poderia passar mais alguns parágrafos tentando convencê-los de que é bom experimentar, não se ater a uma coisa só, mas olha… essa é a minha opinião. E é bem melhor quando cada um tem a sua – já que sem discussões nunca haverá argumento. Certo?
Pontocompontobr
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Somos frescos [somos = a estranha e as ideias] e estamos entrando no mundinho do .com.br
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